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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Notas de vida.


Te perguntam o que é a música pra você. Nunca sabe responder. Nunca sabe definir. Deve ser pelo motivo de não se saber definir a vida. A música na verdade é a vida. A música é a união de notas, união de instrumentos, união de melodias. Cada melodia é uma história pra contar; Cada instrumento é uma parte da vida das pessoas.
O acorde do violão é o mar oscilando, batendo na orla da praia, indo e voltando, levando e trazendo os sentimentos, a calmaria. A flauta é o doce sorriso de uma criança, a doçura mais pura e verdadeira. Os solos de bateria, a loucura, o desespero, o sair da linha, o fugir. A guitarra é o sexo, a intensidade, o arrepio na pele, as unhas na pele. O acordeon é o dançar que toma conta do corpo, o rodopio que insiste em sair de seus pés, o sonho. O baixo é a base, a família; no conjunto da obra por vezes você não nota a presença dele ali, porém, ele ali faz toda a diferença. O teclado é o romantismo, o amor. O ukelele é a nova vida, o filhote. A cuíca é o gemido de dor de um coração despedaçado. O pandeiro é o rebolado. O saxofone é a descrição do prazer, o deslizar das mãos no corpo do outro. O chocalho é a chuva que lava as almas, que faz treme a calha do telhado. E por fim o triângulo; que é só um único som; que é o único pequeno brilho, o sorriso, o detalhe que faz a vida toda valer a pena.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Conselho.



Se o que você sempre quis foi um conselho, aqui vai... Prepare-se. Pode ser tudo que você sempre quis escutar, pode ser tudo que você tinha medo só de imaginar. Presta atenção. Vai sair. Tomar um ar de graça, vai sorrir pra sentir amada, vai correr pelo mundo a fora, vai viver que a vida não demora, vai sonhar com doces de padaria, vai comprar um doce de padaria, vai chorar as lágrimas da vida, as rasteiras, as angustias, as coisas loucas. Vai sambar, se solta. Solta esse cabelo, tira esse sapato, bota o pé no chão, mas depois tira, vai viver essa ilusão. Bota a vida na corda bamba, deixa ela escorregar. Bota o cabelo no ar, toca o céu com as mãos, fecha esses olhos e começa a voar. Não se esquece de ler, mas vai ler um livro animado. Chega de romances meia boca, de comédias muito loucas. Vai ler o que os teus amigos escreveram daquela noite louca, longa, bela noite. Vai sorrir a vida dura, vai cantar a noite toda. Esquece o senso numa boa e vai rodar feito uma louca. Te anima, minha mina. Sobe nas costas dele, segura aquela mão, aperta e beija aquela boca, diz que é louca e para de andar sozinha. Vai pra praia, vai tomar banho de mar e vibra louca pro dia raiar. Solta um palavrão, até 2, deixa a raiva pra lá. Esquece a tristeza, principalmente a que não for sua. Para de citar Clarisse Lispector, Florbela Espenca, Caio Fernando, Vinícius e vai se citar, se situar. Não deixa que te ensinem o que é o amor, vai amar. Vai sentir. Não deixa o medo tomar conta de você. Não nega nunca o teu amor pelo samba, aquele samba da lapa. Não nega o teu rock, teu sex pistols, teu punk, teu hardrock. Para de tentar agradar os outros. Quem te amar de verdade vai amar cada espinha no teu rosto. Olha no outro do outro. Anda na chuva, corre com os moleques, joga futebol. Quer mudar? Muda. O Arnaldo Antunes trocou o moicano pelo terno. E nem deixou de ser ele.
Não esquece agora do que eu te falei. Vive a vida. Sem medo. Nada mais.