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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Notas de vida.


Te perguntam o que é a música pra você. Nunca sabe responder. Nunca sabe definir. Deve ser pelo motivo de não se saber definir a vida. A música na verdade é a vida. A música é a união de notas, união de instrumentos, união de melodias. Cada melodia é uma história pra contar; Cada instrumento é uma parte da vida das pessoas.
O acorde do violão é o mar oscilando, batendo na orla da praia, indo e voltando, levando e trazendo os sentimentos, a calmaria. A flauta é o doce sorriso de uma criança, a doçura mais pura e verdadeira. Os solos de bateria, a loucura, o desespero, o sair da linha, o fugir. A guitarra é o sexo, a intensidade, o arrepio na pele, as unhas na pele. O acordeon é o dançar que toma conta do corpo, o rodopio que insiste em sair de seus pés, o sonho. O baixo é a base, a família; no conjunto da obra por vezes você não nota a presença dele ali, porém, ele ali faz toda a diferença. O teclado é o romantismo, o amor. O ukelele é a nova vida, o filhote. A cuíca é o gemido de dor de um coração despedaçado. O pandeiro é o rebolado. O saxofone é a descrição do prazer, o deslizar das mãos no corpo do outro. O chocalho é a chuva que lava as almas, que faz treme a calha do telhado. E por fim o triângulo; que é só um único som; que é o único pequeno brilho, o sorriso, o detalhe que faz a vida toda valer a pena.

domingo, 21 de agosto de 2011

Melhor.


Poucas e pequenas coisas dessa vida a deixava feliz, ela buscava fazer uma lista dessas coisas para nunca se esquecer, não precisava ser por intensidade, não precisava ser grande, só precisava que fosse para que ela nunca deixasse de realizar. Começou por dançar chacoalhando a cabeça; falar bobagens; rodopiar; soltar-se; sentir-se livre; segurar mãos; fechar os olhos e gritar canções; discutir a paz; falar de amor; contar seu dia; abraçar; sorrir; olhar o céu; contas suas histórias do fim de semana; escutar a vida dos outros, confortar; ser confortada... Mas notou que se fizesse tudo sozinha não teria graça alguma. Que se estivesse sozinha nesses momentos que eram os únicos que a faziam feliz, nem sua pouca felicidade existiria mais. Notou que na verdade, não eram os momentos. Eram as suas companhias. Não era o dançar chacoalhando, nem o falar, nem o rodopiar, nem o segurar as mãos que a faziam feliz. Eram as pessoas com quem ela estava fazendo aquilo. Sem essas pessoas nada teria a magia que tinha. E com elas até a calçada do boteco sujo, tinha magia. Ela rasgou sua lista. E começou uma nova e melhor. Chamou-a de "Amigos", para que nunca pudesse esquecer deles.