Beijos, abraços, carinhos, olhares, dos sorrisos mais bobos, os mais proveitosos sussurros de felicidade. Será tarde para pensar em tudo isso? Imaginar que ainda existe? Que ainda posso? Que devo? Acho que não. Nada que você viveu importa, nada do que você tem conhecimento existe ali. Você é uma criança ao descobrir um mundo novo com as mãos, ao toque da ponta dos dedos, ao deslize das mãos suadas, aos olhos desviados para chão ou para o céu, ao descobrir que não importa onde esteja tudo vai parecer só um abrigo contra os olhares conhecidos, ou uma grama fria, onde você está deitado a olhar o céu só por olhar, por que sua mente estão nas histórias que te contam ali. Você foi desviado do seu mundo, nem notou. Descobriu a melhora de suas risadas, cada vez mais verdadeiras, em tantas das pessoas tão distantes e deixou nascer algo novo. E o que importa agora é não pensar demais. Só viver, sentir e deixar brilhar. Deixar que venha com seus passos, ao seu ritmo e descobrir o que é. A teoria que você tinha sobre tudo? Fez o favor de esquecer. Saber demais estragaria você.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Deixar.
Beijos, abraços, carinhos, olhares, dos sorrisos mais bobos, os mais proveitosos sussurros de felicidade. Será tarde para pensar em tudo isso? Imaginar que ainda existe? Que ainda posso? Que devo? Acho que não. Nada que você viveu importa, nada do que você tem conhecimento existe ali. Você é uma criança ao descobrir um mundo novo com as mãos, ao toque da ponta dos dedos, ao deslize das mãos suadas, aos olhos desviados para chão ou para o céu, ao descobrir que não importa onde esteja tudo vai parecer só um abrigo contra os olhares conhecidos, ou uma grama fria, onde você está deitado a olhar o céu só por olhar, por que sua mente estão nas histórias que te contam ali. Você foi desviado do seu mundo, nem notou. Descobriu a melhora de suas risadas, cada vez mais verdadeiras, em tantas das pessoas tão distantes e deixou nascer algo novo. E o que importa agora é não pensar demais. Só viver, sentir e deixar brilhar. Deixar que venha com seus passos, ao seu ritmo e descobrir o que é. A teoria que você tinha sobre tudo? Fez o favor de esquecer. Saber demais estragaria você.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Lar.

Casa, Mãe, Braços, Pernas, Olhos, Peito, Sons, Família, Alma. Todos os lares são escritos com letra maiúscula. Pelo menos é assim que deve ser. Já que são únicos, os braços de certo alguém, os olhos de um amigo, as pernas de um amor, a família que ti acolhe, mesmo que essa não seja aquela a qual você pertence, a casa que te dá paz, os sons que te envolvem e a alma que se liga a você. Eu sou meu próprio lar, mas o lugar do meu corpo que é mais lar é minha mente. Ela colhe tudo. O brilho das estrelas, o cheiro da minha infância, as cores do meu mundo... Por mais que muitas vezes o meu lar estremeça, que o céu queira cair sobre mim e que tudo vire cinza. Eu sei que volta tudo ao seu lugar, o chão fica novo, ele vai ter cheiro de flor, a chuva fraca vai limpar as janelas e vão ter tantos outros lares novos dentro dele. Um sofá, um livro ou uma janela.
Se você visitar os meus lares provavelmente não vai entender o que eu vejo neles, as cores que eles tem pra mim e o gosto doce que eles tem. Talvez você entenda as frases nas minhas paredes, nem meus livros na estante, nem meu estilo "vintage" nem muito menos meu mpb. Mas se eu estiver no seu talvez eu veja tudo muito sem poesia. Mas o que importa? E se eu quisesse destruir seu lar, eu destruiria você junto. Eu sou o meu lar inteiro. Você também. E sabe o que mais? Tudo bem, ninguém visita o lar de ninguém, o lar é onde você se esconde dos demónios do seu mundo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Coração.

Eu já tive a noite toda o grito imenso, que já fui chamada de "minha", que ainda sou chamada de "minha". Eu que tenho os sorrisos de bons amigos pra acalmar-me, para nunca esquecer, pra deixar acontecer a vida. Eu que declarei mil emoções e no fim, bom, ele chegou e levou minhas lágrimas, que de boas eram todas. Alguém vai esquecer de mim, como eu vou esquecer de alguém. A vida é só minha passagem por você. Não marquei nada na sua pele, nem a que cobre seu corpo, nem a que cobre seu coração. Esperar mais de alguém e não ter é normal, bem normal, natural. Mas eu nunca coloquei a culpa em ninguém, a culpa sempre foi minha e desse meu coração, "esse meu coração" não quero dizer com desprezo, quero bater palmas pra ele. Merece. Amou tanto, sempre intenso, sempre longamente. Machucou-se tantas vez, sempre levantou, desejou o que era de bom pro outro e foi embora. Nunca esqueceu de ninguém que amou, rir de bobagens que disse a eles antes de dormir, das músicas que cantaram juntos, dos abraços e sorrisos, lembra-se também que foi traído, foi pisado ou trocado, mas nunca relacionou isso aos seus amores. Nunca endureceu, pelo contrário. Sempre deixou o amor entrar facilmente. Mas sair sempre foi difícil, ele se acostuma com o calor intenso.Mas nunca deixou que seu ciúme, sua devoção, sua vontade de tê-lo por perto, o prende-se. Deixou ele ir. Para que ele viva uma nova vida, sem ela.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Chuva

O céu tão cinza me avisava o que estava pra chegar, o vento gélido, o sol escondido, as pessoas e seus agasalhos, guarda-chuvas, livros na cabeça e uma correria. Eu? andando devagar, quase parado. Em meio a uma rua de gente atormentada pedia que a chuva levasse em embora minha tristeza, levasse minha alma, trouxesse de volta o que eu era. As primeiras gotas saldaram meu rosto, meu braços abriram-se como instinto, meu rosto se inclinou ao céu. A chuva veio cair sobre mim. Aquele inverno seria glorioso. Eu seria uma nova, adoraria aquele frio e cuidaria de você, da sua febre, sua cabeça e seu coração. Te abraçarei e escutarei aquelas músicas que só você entende o meu amor por elas, o meu samba calmo de Chico. O único calor será os dos nossos corpos e o único amor, o nosso. Peço que essa chuva venha todo o inverno, pra que eu possa ficar por perto, pra que meu corpo agradeça esse frio, pra que as pessoas possam deixar-se molhar por ela e que o barulho dessa chuva seja infinito, por que eu tenho esse amor de inverno pra cultivar. São 3 meses, mas no fim não vá embora, por que ai vem a primavera e você precisa ver todas as cores e sentir o cheiro dessas flores que descansaram o ano inteiro pra sua estação, como eu.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Livro.

Companheiro de cabeceira, de aventuras, de sonhos, se momentos, de arrepios, de suspiros, irritações, animações, excitações, imaginações, transformações... Que eu tenha em ti um desses, nem que seja só pro sono, que você me acompanhe nele. Tenho tido em livros as melhores companhias, preenchem o vazio que há em certos espaços com suas figuras, seus mistérios, suas descobertas, suas citações. Tenho me apaixonado por seus mocinhos misteriosos, me perdido nos seus casarões, chorado em suas páginas aos me encontrar em uma certa personagem, aquela que ninguém nota. Olho suas páginas, não vejo figuras, terei que imaginar tudo, melhor assim, imaginarei todos os meus novos amigos. Você não os descreve, melhor ainda, crio-os com as afeições que eu gosto. Só não me venha sem nada escrito, que uma história inteira eu não posso imaginar. Seus donos, famosos, anónimos, atônitos, loucos... Me tocaram a alma com tanta certeza como um amar. Não deixe que outros leitores acabem com tua magia, não deixe que te deixe de lado. Eu tenho em você minha "vida" por umas horas, uns dias... Tua magia em mim, me embrulha o estômago por que agora a moça deixou o rapaz sem respostas e saiu pela rua nua.
domingo, 7 de novembro de 2010
Detalhes e discursos.

Ela me escrevia partituras difícieis de entender. Me mandava cartas, flores, papeis de chocolates, doces coloridos(nenhum verde), ingressos de cinema, fotos, filmes, palhetas... Todos vinham com bilhetinhos, como, você me deu isso no dia tal, você adorava isso, isso aconteceu no dia tal, você ria com isso, você tocava tal música... Queria dizer a ela, eu me lembrava de tudo. Das balas, nunca verdes, que eu gostava; das músicas, dos momentos, dos filmes, das promessas... Queria dizer, mas não podia, por que ela pararia com tudo. Diria que sou indelicado, por que eu fingia não saber, não lembrar. Mas se eu falasse ela nunca poderia me lembrar como era o seu beijo, como era está perto dela, como era tocar aquela pele, como era a respiração dela, como ela era dormindo, como era a risada dela... Ela achava, não sei por que que eu a queria distante, eu a desejava tão perto de mim. Quanto mais ela sumia, mas eu a queria perto de mim. Queria ouvir aqueles discursos de 30 minutos que ela tinha decorrado sobre a política, o clima, os músicos, os barulhos, o cinema, as guerras... Eu lembrava daquele caderno cheio de textos, fotos, desenhos e polissindetos. Aquelas músicas escritas que eu cantava pra ela. Adorava sua voz e todos os seus discursos, mas normalmente sempre que eu a encontrava ela estava calada. Me lembrava tanto daquele rosto envergonhado.
domingo, 17 de outubro de 2010
Melodia

Um pouco perto do mar, quase tocando a água, seus olhos pousaram sobre as estrelas enquanto seu corpo se debruçava sobre a areiae sua cabeça repousava sobre a mochila, cheia de histórias, sentimentos e cheiros, que ele carregava de todos os lugares por onde passavaem seus sonhos, seus pensamentos. A fogueira, que aquecia seu corpo, secava os galhos e os fazia quebrar e o som que se ouvia lhe assustava. Porém, o barulho das ondas e do vento lhe acalmavama alma há pouco roubada por um novo amor, a música, as letras, as descobertas e todas aquelas melodias que lhe arrepiavam o corpo, tocava a pele e fechavam os olhos. Há cada um que passava ela atribuia um brilho, uma história e um sentimento. A raiva de um, a tristeza do outro, o sorriso, a vergonha, o desespero... Tudo se tornara tão maravilhos que escondia sua tristeza. Fechou os olhos e dormiu, ao som da sua própria melodia.
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